Projeto transforma leitura em experiência teatral nas escolas do Jardins Mangueiral

 Iniciativa aproxima jovens da dramaturgia brasileira por meio de oficinas de teatro e musicalidade em cena, estimulando a leitura, a expressão artística e o protagonismo juvenil



Estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal apresentam cenas inspiradas na obra Eles Não Usam Black-tie, do dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri, como resultado de três meses de oficinas de teatro e musicalidade em cena. A iniciativa integra o projeto Um outro olhar para a leitura dramatizada no Jardim, que oferece atividades culturais e educativas em instituições de ensino do Jardins Mangueiral, com o objetivo de aproximar os jovens da literatura por meio das artes cênicas.

Idealizada e produzida pelo ator e arte-educador Thiago de Moraes, a iniciativa propõe uma nova maneira de trabalhar o texto dramático no ambiente escolar. Em vez de permanecerem apenas na posição de leitores, os participantes são convidados a interpretar personagens, explorar a sonoridade das palavras e experimentar a construção coletiva de uma apresentação teatral.

Durante as atividades, os estudantes desenvolvem cenas que combinam palavra falada, canto, ritmos e silêncios para dar voz e corpo aos conflitos da obra. As apresentações marcam uma etapa importante do processo formativo, compartilhando com a comunidade escolar os resultados das oficinas e envolvendo professores, gestores e convidados.

A proposta de tirar os textos do papel busca despertar o interesse dos jovens pela literatura e oferecer novas possibilidades de aprendizagem. Por meio da leitura dramatizada, os participantes exploram diferentes interpretações, reconhecem os sentimentos dos personagens e desenvolvem maior segurança para se expressar diante dos colegas. A experiência também apresenta uma alternativa às práticas habituais de sala de aula, muitas vezes associadas a tarefas obrigatórias e avaliações.

Essa mudança na relação com a literatura está entre os aspectos destacados por Thiago. Ao aproximar os participantes dos personagens e de seus dilemas, o trabalho busca tornar a dramaturgia mais acessível e conectada às vivências dos próprios estudantes. “Em vez de encararem as páginas do texto como uma obrigação escolar distante e fria, a dinâmica permitiu que os estudantes enxergassem a dramaturgia como uma história viva, com conflitos, sentimentos e vozes reais”, explica.

A escolha de Eles Não Usam Black-tie contribui para esse diálogo. A peça aborda dilemas sociais e familiares que permanecem presentes na sociedade brasileira, permitindo relacionar a narrativa teatral à realidade contemporânea. Ao dar vida a essas situações, os jovens têm a oportunidade de refletir sobre relações humanas e desafios que atravessam diferentes contextos sociais.

A evolução do envolvimento dos participantes também foi percebida ao longo das oficinas. Se, no primeiro contato com a obra, predominavam a timidez e o receio de se expor, o avanço dos ensaios favoreceu a confiança e a disposição para trabalhar em grupo. “Nos ensaios, o envolvimento aprofundou. A ansiedade inicial deu lugar a um sentimento de responsabilidade e trabalho em equipe”, afirma o idealizador.

Além do aprendizado artístico, a prática estimula habilidades importantes para a formação pessoal e cidadã. Ao compartilhar a cena, escutar os colegas e elaborar interpretações em conjunto, os alunos exercitam a comunicação, a cooperação, a criatividade e a autonomia. A expectativa é que esses ganhos permaneçam mesmo após o encerramento das atividades. “A principal transformação esperada é o despertar de estudantes mais autônomos, expressivos e conscientes de seu papel como cidadãos”, completa Thiago.

Outro objetivo é transformar a percepção dos textos literários trabalhados na escola, mostrando que a leitura pode ultrapassar as exigências curriculares e se tornar uma oportunidade de identificação, descoberta e criação. “A expectativa é que, após vivenciarem ‘Eles não usam Black-tie’, os estudantes percebam que os textos cobrados em exames e avaliações não são enfadonhos, mas sim histórias humanas, expressivas e conectadas com a realidade social em que vivemos”, declara o arte-educador.

Para Thiago de Moraes, levar atividades culturais às instituições públicas também significa ampliar o acesso às artes e criar oportunidades de convivência e protagonismo juvenil. Ele destaca o potencial de espaços escolares que acolhem iniciativas de criação e expressão. “Ao transformar o pátio ou a quadra de esportes em palco e a sala de aula em oficina, o projeto supre uma demanda local por atividades extracurriculares que estimulem a criatividade, o convívio social e o protagonismo juvenil”.

Com as apresentações, o projeto busca deixar um legado artístico e cultural nas escolas do Jardim Botânico, incentivando práticas pedagógicas que aproximem literatura, teatro e educação. A iniciativa demonstra como o contato com a dramaturgia pode contribuir para a formação dos estudantes, estimulando novas formas de expressão e de compreensão da realidade.
Apresentações movimentam escolas do Jardins Mangueiral

A programação reúne apresentações nas instituições participantes e uma atividade externa, ampliando o contato dos estudantes com diferentes espaços culturais e públicos. No Centro de Ensino Fundamental (CEF) 01 Jardins Mangueiral, os alunos apresentam cenas na própria escola, em sessões destinadas à comunidade escolar. A programação também contempla o Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), onde os estudantes compartilham o resultado das oficinas em apresentações nos turnos matutino e vespertino.

Já os participantes do Centro Educacional (CED) Jardins Mangueiral integram uma atividade externa no Sesc SCS, em Brasília, com a proposta de ampliar as experiências culturais dos jovens. A programação inclui ainda apresentações na própria instituição, reunindo a comunidade escolar em torno da produção artística desenvolvida durante o projeto.

O encerramento marca a culminância de um processo de descoberta, aprendizagem e construção coletiva. Com o projeto Um outro olhar para a leitura dramatizada no Jardim, a dramaturgia ganha voz, corpo e movimento, demonstrando como os textos podem ultrapassar as páginas dos livros e se tornar instrumentos de formação, reflexão social e participação cidadã.

FICHA TÉCNICA:
  • Direção: Thiago de Moraes
  • Produção: Marília Abreu, Jamila Brasil
  • Assistente de Produção: Tinaiana Costa
  • Oficina De Teatro: Annaju Carvalho
  • Oficina De Musicalidade: Joan Lucas Santos
  • Oficina De Braille: Gabriela Passos, Fernando Rodrigues
  • Design: Halline Medeiros
  • Fotografia: Sabrina May
  • Assessoria de Imprensa: Suzanny Costa
  • Social Media: Gabriel Barbosa

SERVIÇO
Projeto: Um outro olhar para a leitura dramatizada no Jardim
Período: 3 de agosto a 11 de novembro de 2026
Locais: Centro Educacional Jardins Mangueiral, Centro de Ensino Fundamental 01 Jardins Mangueiral e Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), no Distrito Federal.
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