Falta de ar, tontura, palpitações, suor excessivo e dores em outras regiões do corpo também podem indicar que algo não vai bem

Dor no peito é o sintoma mais associado aos problemas cardíacos, mas nem sempre é assim que eles se manifestam. Falta de ar, palpitações, tontura, náuseas, suor excessivo, sensação de desmaio e dores nos braços, mandíbula ou região do estômago também podem estar relacionados a alterações cardiovasculares.
No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, o cardiologista do Hospital Anchieta Rafael Guedes chama atenção para um fator que ainda atrasa o atendimento: muita gente não reconhece esses sinais ou acredita que eles não indicam algo grave.
Segundo ele, a demora costuma ocorrer por uma combinação de desinformação e subestimação dos sintomas. “Muitas pessoas não reconhecem os sinais ou acreditam que aquilo não pode ser algo grave. Ainda existe uma tendência de buscar atendimento somente depois que o quadro se agrava”, avalia.
O cenário preocupa diante da dimensão das doenças cardiovasculares no país. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que o Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano, com uma morte estimada a cada cinco a sete ocorrências.
Sinais podem variar de pessoa para pessoa
As manifestações cardiovasculares não são iguais em todos os pacientes. Elas podem variar conforme idade, histórico de saúde e presença de outras doenças, o que também pode dificultar o reconhecimento de que algo está errado.
“O coração pode demonstrar sofrimento de várias formas, inclusive de maneira silenciosa. Além da dor no peito, falta de ar, aceleração dos batimentos, tontura, náusea, sudorese e dores em outras regiões também podem sinalizar um problema”, observa o especialista.
Por isso, mudanças repentinas no estado de saúde, sintomas persistentes ou sinais acompanhados de mal-estar importante merecem avaliação. O reconhecimento precoce pode fazer diferença no tempo de procura por atendimento e no início do tratamento.
Prevenção começa na rotina
Além de reconhecer os sintomas, a prevenção passa pelo controle de fatores que aumentam o risco cardiovascular. Tabagismo, sedentarismo, alimentação rica em gorduras saturadas e açúcares, estresse elevado e má qualidade do sono estão entre os hábitos que podem prejudicar a saúde do coração ao longo do tempo.
Para Rafael Guedes, o cuidado precisa ser incorporado à rotina e não lembrado apenas quando surge algum sintoma. Praticar atividade física, não fumar, manter uma alimentação equilibrada, cuidar do sono e acompanhar a pressão arterial são medidas que ajudam a reduzir riscos.
“Não adianta pensar em prevenção apenas quando surge um sintoma. O cuidado precisa fazer parte do dia a dia, com hábitos saudáveis e acompanhamento médico de acordo com o perfil de cada pessoa”, alerta.
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