Transição após o alto rendimento envolve formação, planejamento e reconstrução profissional; ex-jogador da Seleção Brasileira encontrou na gestão, no treinamento e na formação de novos profissionais um novo caminho no voleibol
![]() |
| Adriano fez parte da equipe do Flamengo ARQUIVO |
O apito final de uma carreira esportiva não significa necessariamente o fim da relação com o esporte. Para muitos atletas, o encerramento das competições marca o início de uma fase de novas escolhas profissionais, adaptação de rotina e reconstrução da identidade. Depois de anos dedicados a treinos, viagens e competições, surge uma pergunta nem sempre contemplada na preparação para o alto rendimento: o que fazer depois?
Um estudo publicado em 2025 na revista Movimento, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), entrevistou oito ex-atletas olímpicos brasileiros e identificou a formação acadêmica como uma preocupação durante e depois da carreira esportiva. Os pesquisadores também apontaram que, no Brasil, a transição ainda ocorre sem um planejamento estruturado que considere diferentes dimensões da vida do atleta.
A experiência do ex-jogador de vôlei Adriano Cristian Souza Carneiro mostra uma das possibilidades desse processo. Depois de 15 anos como atleta profissional, quatro deles na Seleção Brasileira, ele encerrou a carreira nas quadras, mas permaneceu no esporte. A experiência acumulada como jogador passou a ser aplicada na gestão, no treinamento e, atualmente, na formação de profissionais.
Campeão mundial e sul-americano, Adriano passou por clubes como Minas, Suzano, Palmeiras, Flamengo e Maringá. Hoje, é fundador do Instituto ACE, em Goiás, integra a Diretoria Técnica da Entidade de Administração Goiana de Voleibol (EAGV) e participa da organização de cursos oficiais de formação de treinadores da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

Uma nova trajetória dentro do esporte
Depois de deixar as quadras, Adriano passou a atuar na gestão de projetos esportivos. Entre as experiências está o trabalho com o MonteCristo, que chegou a duas finais da Superliga B, conquistou três acessos a partir da Superliga C e um acesso à Superliga A, em 2013.
A experiência como gestor foi seguida pela atuação como treinador e, posteriormente, pela formação de profissionais. “Fui atleta, depois gestor e treinador, e hoje também tenho a oportunidade de contribuir para a formação de outros técnicos. Cada etapa trouxe uma visão diferente do esporte”, afirma.
Atualmente, uma das principais frentes de atuação de Adriano está na capacitação de treinadores. Pela EAGV, ele participa da organização, em Goiás, dos cursos oficiais da CBV, com o objetivo de ampliar o número de profissionais qualificados para trabalhar com a modalidade no Estado.
“Não basta descobrir talentos. Precisamos criar um ambiente capaz de formar atletas e, antes disso, formar bons professores e treinadores. Quanto mais profissionais qualificados tivermos espalhados pelo Estado, maior será nossa capacidade de levar o voleibol a crianças e jovens e construir uma base sólida para o alto rendimento”, explica.
.jpeg)
Da base ao alto rendimento
A formação de atletas também está entre as atividades do Instituto ACE. A instituição trabalha com iniciação esportiva, categorias de base e competição e já alcançou resultados em competições nacionais do Campeonato Brasileiro Interclubes, no âmbito do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), com presença entre as oito melhores colocações em categorias de quadra e praia.
No vôlei de praia, Adriano acompanha diretamente jovens atletas, utilizando a experiência acumulada no alto rendimento na formação das novas gerações.
Além da EAGV, ele integra a Associação Brasileira de Treinadores de Vôlei de Praia e participa do processo eleitoral da entidade. Sua trajetória também inclui o título de Atleta Benemérito da CBV e a Medalha de Honra ao Mérito do Governo Federal pelos serviços prestados ao esporte nacional.
A trajetória mostra que a aposentadoria competitiva não precisa representar o afastamento do esporte. A experiência adquirida nas quadras pode se transformar em novas funções e conhecimentos profissionais. Para Adriano, esse processo também pode contribuir para o desenvolvimento da modalidade.
“O voleibol me proporcionou oportunidades durante toda a minha vida. Hoje, nosso objetivo é transformar a experiência acumulada no alto rendimento em conhecimento e oportunidades para outras pessoas. Se queremos massificar o voleibol em Goiás, precisamos investir na formação dos profissionais que estão diariamente nas quadras, nas escolas, nos clubes e nos projetos sociais”, afirma.
.jpg)




