Conselho de Saúde do DF cobra medidas para enfrentar filas de cirurgias eletivas; doença pode atingir até 25% dos adultos brasileiros

O acesso às cirurgias de hérnia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está entre os desafios da assistência cirúrgica no Distrito Federal. Em 2025, o Conselho de Saúde do DF aprovou o credenciamento complementar de serviços de cirurgia geral e estabeleceu recomendações para enfrentar o déficit de vagas e reduzir a espera por procedimentos eletivos. A discussão ganha relevância diante de uma doença que pode atingir até um em cada quatro adultos brasileiros.
Segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal (SBH), as hérnias da parede abdominal podem afetar entre 20% e 25% da população adulta, o equivalente a aproximadamente 28 milhões de pessoas no país. A condição pode provocar dor, desconforto e limitações para atividades cotidianas, além de evoluir, em determinados casos, para complicações que exigem atendimento de urgência.
No Distrito Federal, o Hospital Regional de Samambaia é uma das referências para procedimentos de correção de hérnias inguinais, umbilicais, incisionais e epigástricas. A rede pública também oferece atendimento em cirurgia geral em diferentes regiões administrativas, com encaminhamento e agendamento por meio do sistema de regulação.
A preocupação com o acesso ao tratamento acompanha um cenário nacional de estabilidade no volume de cirurgias. Dados do DATASUS levantados pela SBH mostram que foram realizados 334.229 procedimentos em 2023, 361.856 em 2024 e 345.725 em 2025. Entre janeiro e julho de 2026, foram contabilizadas 200.937 operações, ritmo que projeta aproximadamente 344,4 mil cirurgias até o fim do ano.
A desigualdade entre a rede pública e a saúde suplementar também chama atenção. Segundo a publicação Demografia Médica no Brasil 2025, em 2023 foram realizadas 215 cirurgias de hérnia por 100 mil usuários do SUS, contra 401 por 100 mil beneficiários de planos de saúde. A taxa na saúde suplementar foi 86,6% superior à registrada no sistema público.
Para contribuir com a ampliação do atendimento, a SBH realiza, há mais de dez anos, mutirões cirúrgicos em diferentes regiões do país. A iniciativa reúne médicos voluntários para atender pacientes do SUS, além de promover treinamento para equipes hospitalares e disseminar técnicas cirúrgicas.
“Com os mutirões, o papel da SBH é também contribuir para que a demanda não se transforme em filas cada vez maiores. E claro, também devolver ao paciente a qualidade de vida e o retorno sem dor às atividades do dia a dia. Além da redução nas filas, os mutirões ainda levam conhecimento e treinamento para diferentes regiões do país”, afirma o cirurgião Heitor Santos, presidente da SBH.
As hérnias da parede abdominal ocorrem quando tecidos ou órgãos se projetam através de uma região enfraquecida da musculatura. Entre os principais sinais estão o aparecimento de uma saliência no abdômen ou na virilha e o desconforto durante esforços físicos. Dor intensa e persistente, vômitos ou alterações na coloração da região podem indicar complicações e exigem avaliação médica urgente.
Embora a cirurgia seja a única forma de corrigir definitivamente o defeito da parede abdominal, nem todos os pacientes precisam de intervenção imediata. A indicação depende dos sintomas, das características da hérnia e das condições clínicas de cada pessoa.
Para a SBH, ampliar a capacidade de atendimento, fortalecer a formação de profissionais e melhorar o acesso ao diagnóstico são medidas fundamentais para que pacientes recebam tratamento no momento adequado.




