Dia Mundial contra a Raiva: vacinação no DF registra recorde de animais imunizados

Imunização de cães e gatos no DF ajuda a proteger animais e humanos. Saiba mais sobre a doença e como se proteger

Dia Mundial contra a Raiva: vacinação no DF registra recorde de animais imunizados. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF

A vacinação contra a raiva alcançou 99.903 cães e gatos no Distrito Federal neste ano, o maior quantitativo registrado nos últimos anos. Foram imunizados 82.878 cães e 17.025 gatos, um aumento de 87,18% em relação a 2025.

O resultado reforça a importância da vacinação para manter a raiva sob controle e proteger tanto os animais quanto a população. Apesar dos avanços, a doença continua exigindo atenção permanente, já que o vírus segue circulando entre animais.

"É um resultado expressivo, com o maior quantitativo registrado nos últimos anos", celebra o diretor de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Wendel Medeiros.

O assunto é sério e que ganhou data própria. Nesta segunda-feira (28), é celebrado o Dia Mundial contra a Raiva, uma homenagem a Louis Pasteur, cientista francês que desenvolveu a primeira vacina de combate à doença, em 1885. Hoje, mais de um século depois, a imunização de cães e gatos ainda é uma das principais formas de prevenção.

"É um desafio estratégico da saúde pública a necessidade de fortalecer a percepção de risco contínuo, considerando que o vírus da raiva mantém circulação ativa", afirma Medeiros.

Onde e como vacinar seu animal?

Todos os cães e gatos, a partir dos três meses de vida, devem ser vacinados anualmente, inclusive fêmeas que estiverem prenhas ou amamentando. Caso o animal esteja doente, a equipe irá avaliar o caso. Mesmo que os pets vivam em casas ou apartamentos, é preciso levá-los para receber a dose, pois há chance de haver contato com outros animais, como morcegos.

Além das campanhas de vacinação, o imunizante está disponível de segunda a sexta-feira na sede da Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde (Dival) e nos Núcleos Regionais de Vigilância Ambiental. A lista completa com endereços e horários de funcionamento está disponível neste link [https://www.saude.df.gov.br/pt/vacinacao-antirrabica-para-caes-e-gatos], atualizada conforme a disponibilidade do serviço.

Para que o animal receba a dose, o tutor precisa ser maior de idade e levar um documento de identificação válido e com foto.

Vale ressaltar que a vacina oferecida no Sistema Único de Saúde (SUS) é destinada exclusivamente a cães e gatos. Quem tiver roedores, primatas ou suínos deve focar em outras medidas preventivas: evitar o contato e isolar animais que apresentem alteração de comportamento, como dificuldades de locomoção, alteração nos sons produzidos e salivação excessiva.

Produtores com rebanhos de bovinos, ovinos, caprinos, equinos e suínos também precisam ficar atentos à raiva. Nesses cenários, as ações preventivas ficam a cargo da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri-DF): https://www.seagri.df.gov.br/raiva-e-encefalopatias

Quais cuidados tomar?

Caso cães ou gatos estejam com sinais de raiva, é preciso acionar a Vigilância Ambiental pelo telefone (61) 3449-4434 (WhatsApp). Nunca tente manejar, tratar ou medicar o animal por conta própria. Destaca-se que a Vigilância Ambiental não é responsável por resgatar animais de rua.

Outro cuidado fundamental é evitar o contato com animais como morcegos ou macacos, principalmente se estiverem mortos. A Vigilância Ambiental também pode ser contatada nesses casos. Vale lembrar que animais silvestres são protegidos por lei e matá-los é crime.

Como a raiva é transmitida?

O vírus causador da raiva, do gênero Lyssavirus, é transmitido pela saliva, por meio de mordidas, lambidas e arranhões de animais infectados. Em geral, o ciclo da doença é iniciado entre animais silvestres, passando para animais de criação ou animais domésticos, antes de haver casos em humanos.

Em cães e gatos, a transmissão pela saliva ocorre de dois a cinco dias antes do aparecimento dos sinais da doença. Isso porque, no primeiro momento, o vírus se multiplica no local da lesão. Só depois migra para o cérebro e as glândulas salivares, causando os sintomas. Depois dessa fase, a possibilidade de óbito é de quase 100%.

O que fazer em caso de mordida?

Se houver acidentes com animais, lave imediatamente o ferimento com água e sabão. Em seguida, procure atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou hospital para ser avaliado. Os profissionais do SUS são treinados para avaliar a ocorrência de acordo com as características do paciente, do ferimento e do animal envolvido.

No momento da avaliação, pode ser indicada a profilaxia pós-exposição [https://www.saude.df.gov.br/profilaxia-pos-exposicao], de acordo com o risco identificado pelos profissionais de saúde. A conduta pode envolver vacina e/ou soro antirrábico.

Quais são os sintomas em humanos?

Nos seres humanos, os sinais da raiva são similares aos de várias outras doenças: febre, dor de cabeça, perda de apetite e náuseas. Porém, em poucos dias, surgem sintomas neurológicos, como alterações de comportamento, espasmos, convulsões, delírios, alucinações e paralisia. O paciente também sofre com dificuldade para beber água e deglutir alimentos, além de apresentar salivação intensa. Em seguida, há o estado de coma e, em quase todos os casos, o óbito.

Vale lembrar que a raiva não é transmitida por ficar no mesmo ambiente que um animal contaminado nem pelo contato com fezes ou urina. Também não há contaminação em caso de mordidas ou picadas de répteis, insetos ou aves, pois a doença afeta apenas mamíferos.

Casos no DF

Desde a fundação de Brasília, em 1960, foram registrados somente dois casos de raiva humana no DF: em 1978 e em 2022, ambos tendo como resultado o óbito. "A situação dos casos de raiva em humanos está controlada no DF. Mas, a manutenção desse cenário seguro exige vigilância e imunização contínuas", explica a enfermeira Geila Márcia Meneguessi, da área de Vigilância Epidemiológica da SES-DF.

Os agentes atuam de forma integrada na identificação e na investigação de situações suspeitas, na avaliação do risco de exposição e na adoção das medidas necessárias para interromper a cadeia de transmissão.

Vacina para prevenção

O SUS também disponibiliza um esquema de vacinação pré-exposição [https://www.saude.df.gov.br/raiva#:~:text=Quem%20deve%20receber%20e%20como%20funciona%20a%20profilaxia%20pr%C3%A9%2Dexposi%C3%A7%C3%A3o%3Fpara] pessoas que têm mais chances de sofrer acidentes com animais ou entrar em contato com o vírus. É o caso de médicos veterinários, engenheiros agrônomos, zootecnistas, biólogos e estudantes dessas áreas. Também tomam a vacina funcionários de zoológicos, de clínicas veterinárias e de propriedades rurais, entre outras categorias.

Para receber as doses, o profissional pode procurar uma unidade de saúde e apresentar um documento que comprove o risco de exposição ao vírus da raiva, como crachá funcional, declaração laboral ou da faculdade.
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