Associação Kalungada busca apoio para manter projeto social na Vila Planalto

Organização atende mais de 120 crianças e adolescentes, busca uma sede própria e promove rifa solidária para custear o 5º Batizado e Troca de Cordas.


Há quase duas décadas, a Associação Cultural Social Esportiva e Carnavalesca Kalungada (Acseck) desenvolve ações que unem esporte, cultura e cidadania na Vila Planalto. Sob a liderança do mestre de capoeira Henrique da Silva Neto, de 49 anos, conhecido como mestre Kalunga, a entidade utiliza a capoeira, a percussão e manifestações carnavalescas como ferramentas de inclusão social, formação cidadã e valorização da cultura afro-brasileira.

A iniciativa surgiu da trajetória do mestre Kalunga na capoeira e da convicção de que o esporte poderia transformar a realidade de crianças e adolescentes da comunidade. Brasiliense e morador da Vila Planalto há 42 anos, ele conhece de perto os desafios enfrentados pelos moradores de um dos bairros mais tradicionais do Distrito Federal.

Localizada entre o Palácio do Planalto e o Palácio da Alvorada, a Vila Planalto foi criada entre 1957 e 1958 para abrigar operários que participaram da construção de Brasília. Apesar da localização privilegiada, a comunidade ainda enfrenta desafios sociais e carece de mais oportunidades culturais, esportivas e educativas para crianças e jovens.

"Nosso objetivo sempre foi mostrar que, por meio do esporte, da música e da educação, é possível oferecer novas oportunidades e afastar crianças e jovens das drogas, da violência e da marginalidade. A Vila Planalto precisa de mais projetos como esse. Apesar de estar no Plano Piloto, ainda existem crianças em situação de vulnerabilidade que precisam de oportunidades", afirma mestre Kalunga.

Atualmente, a associação atende cerca de 90 crianças e adolescentes nas aulas de capoeira e outros 35 alunos nas oficinas de percussão. Além da formação técnica, o projeto incentiva valores como respeito, disciplina, solidariedade, responsabilidade e cidadania.

Segundo mestre Kalunga, os resultados vão além das atividades oferecidas. Muitos participantes chegam tímidos, desmotivados ou em situação de vulnerabilidade, mas encontram na associação um espaço de acolhimento e pertencimento. "O mais importante é saber que muitas dessas crianças deixam de estar expostas às ruas porque passam a ocupar seu tempo aprendendo, convivendo e acreditando em um futuro melhor", destaca.

Em busca de uma sede

Além das atividades culturais e esportivas, o projeto contribui para melhorar o comportamento, o rendimento escolar e a convivência familiar dos participantes. Apesar dos resultados, a principal dificuldade da Associação Kalungada é a falta de uma sede própria.

Hoje, as aulas são realizadas na Praça Zé Ramalho, em um espaço público sujeito às condições climáticas e sem infraestrutura adequada. A entidade também enfrenta dificuldades para adquirir instrumentos musicais, materiais esportivos e uniformes. Ao longo dos anos, a associação buscou apoio junto ao Governo do Distrito Federal, à Administração Regional e a outros órgãos públicos para conquistar um espaço definitivo.

Segundo mestre Kalunga, uma sede permitiria ampliar o número de atendimentos, oferecer novas oficinas culturais e educativas e alcançar mais crianças e adolescentes. Ele também avalia que ainda faltam investimentos em cultura, esporte e lazer na Vila Planalto. "A falta de atividades gratuitas no contraturno escolar reduz as opções de convivência saudável para muitos jovens e pode aumentar a exposição a situações de risco", afirma.

Outro desafio é a precariedade dos espaços públicos utilizados pelo projeto. "A falta de manutenção das praças e a presença de pessoas em situação de rua dificultam o desenvolvimento das nossas atividades. Mesmo assim, ocupamos esses espaços com rodas de capoeira e oficinas de percussão, transformando locais que poderiam estar abandonados em ambientes de aprendizado, cultura e esperança. Também enfrentamos problemas como a falta de banheiros para atender as crianças durante as aulas e a insegurança causada pela presença de pessoas em situação de rua", relata.

Apoio para o Batizado

No dia 22 de agosto, a Associação Kalungada realizará o 5º Batizado e Troca de Cordas, um dos principais eventos da entidade. A cerimônia marca a graduação dos alunos na capoeira e reúne mestres convidados, além de apresentações de percussão que valorizam a cultura afro-brasileira.

Para viabilizar o evento, a associação busca apoio para custear uniformes, alimentação, estrutura, transporte, instrumentos musicais e demais despesas. Como parte da arrecadação, foi lançada uma Rifa Solidária, com números a R$ 15,00 e sorteio no dia 22 de agosto, durante o evento. Os participantes concorrerão a um Smartphone Redmi 15C (256 GB), uma Cesta de Café da Manhã, da Exclusiva Cestas, e uma Limpeza de Pele, da Delicapelly. O link para participar está disponível na bio do Instagram da Associação Cultural Social Esportiva e Carnavalesca Kalungada (@associacaoculturalkalungada).

O presidente da Associação Kalungada faz um apelo ao poder público, comerciantes, empresários e à sociedade civil para conhecerem e apoiarem o trabalho desenvolvido na comunidade. "A capoeira e a percussão não formam apenas atletas ou músicos. Elas formam cidadãos, fortalecem famílias e oferecem oportunidades para quem muitas vezes não teria outra alternativa. Precisamos de uma sede própria e de parceiros para manter e ampliar esse trabalho. Cada apoio recebido ajuda a construir um caminho de dignidade, cultura, educação e esperança para nossas crianças", conclui.
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