Tarifaço pode cortar em 20% receita por produto exportado

"O tarifaço pode alterar a capacidade de crédito antes mesmo de provocar queda nas exportações", Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.


“O cenário mais provável continua sendo o de um acordo parcial, com ampliação das exceções para setores estratégicos, o que reduziria parte do impacto sobre as exportações brasileiras, mas não eliminaria a incerteza para investimentos e planejamento das empresas. Ao mesmo tempo, essa alta do petróleo tende a pressionar a inflação por meio dos combustíveis, fretes e custos industriais, podendo enfraquecer o real e reduzir o espaço para cortes da Selic. Quanto aos negócios, a diversificação de mercados e a revisão de contratos tornam-se essenciais para preservar receitas, embora possam comprimir margens no curto prazo, enquanto linhas de crédito subsidiadas podem facilitar essa transição, desde que direcionadas a empresas economicamente viáveis”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

“O espaço para um acordo comercial ainda existe, mas, neste momento, parece mais provável uma negociação sobre o alcance das tarifas do que sua retirada integral. A ampliação das exceções reduziria o impacto sobre setores com maior exposição aos Estados Unidos, preservaria cadeias produtivas integradas e diminuiria a necessidade de redirecionamento imediato das exportações. Isso seria relevante para evitar perda de competitividade, compressão de margens e adiamento de investimentos. A alta do petróleo chega à economia brasileira por diferentes canais. O primeiro é o custo direto de combustíveis, fretes, energia e insumos derivados. O segundo é o câmbio: choques externos elevam a aversão a risco e podem pressionar o dólar, encarecendo máquinas, componentes e matérias-primas importadas. O terceiro é o canal das expectativas.

Se o movimento for persistente e contaminar as projeções de inflação, a curva de juros tende a incorporar prêmio adicional e o Banco Central ganha menos espaço para reduzir a Selic. A busca por novos mercados e a revisão de contratos são respostas necessárias, mas têm custos. A diversificação reduz a dependência dos Estados Unidos no médio prazo, porém exige tempo, logística, adaptação regulatória e, muitas vezes, preços menos favoráveis no início. A renegociação contratual pode distribuir o custo da tarifa entre exportador e comprador, mas tende a pressionar margens. Já o crédito subsidiado pode preservar capital de giro, produção e empregos durante a transição, desde que seja direcionado a empresas viáveis e temporariamente afetadas. Ele funciona como instrumento de liquidez, não substitui competitividade nem resolve de forma permanente a perda de mercado”, Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset.

“O tarifaço pode alterar a capacidade de crédito antes mesmo de provocar queda nas exportações. Com uma sobretaxa de 25%, a empresa pode manter o volume vendido, mas receber menos ao absorver parte do custo, o que reduz margem, geração de caixa e capacidade de pagamento. A ampliação das exceções evitaria esse efeito nos setores em que os Estados Unidos dependem de produtos brasileiros e preservaria recursos para investimento. O petróleo reforça a pressão ao encarecer fretes e produção. Se prolongar a inflação americana, pode manter os juros dos Estados Unidos elevados, fortalecer o dólar e limitar a queda da Selic no Brasil, encarecendo também o financiamento doméstico. Novos mercados recompõem receitas, mas exigem capital para estoque, logística e prazos maiores. Contratos reajustados ajudam a dividir tarifa, câmbio e frete, enquanto o crédito subsidiado oferece fôlego durante a transição. Com garantias adequadas e capacidade de pagamento, esse crédito financia a adaptação sem comprometer o planejamento financeiro”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

“O tarifaço muda a economia das exportações antes mesmo de reduzir o volume vendido. A incerteza sobre a alíquota final leva empresas a alongar estoques, renegociar preços e reservar mais capital de giro, o que retira recursos de investimentos. O espaço para um acordo está principalmente nas exceções, porque determinados produtos brasileiros abastecem cadeias americanas que não encontram substitutos imediatos. Uma lista maior preservaria receitas em dólar e reduziria a pressão financeira sobre exportadores. A alta do petróleo amplia esse efeito ao encarecer fretes, energia e produção.

Se também sustentar a inflação americana, pode adiar cortes de juros pelo Federal Reserve, fortalecer o dólar e pressionar preços de insumos importados no Brasil, limitando a queda da Selic. Novos mercados ajudam a recompor as exportações, mas podem exigir preços menores, prazos maiores e novas despesas logísticas, preservando volume sem necessariamente preservar margem. Contratos ajustados redistribuem tarifa, câmbio e frete, enquanto o crédito subsidiado protege o caixa durante a adaptação. A capacidade de investir dependerá de transformar essas novas vendas em fluxos previsíveis, e não apenas de manter o faturamento”, Letícia Moschioni, Sócia da Finscale.

“O possível aumento das tarifas dos EUA ocorre em um ambiente de incerteza para o comércio internacional, mas ainda há espaço para negociações que resultem em exceções para setores estratégicos. A ampliação dessas exceções reduziria os impactos sobre exportações, produção industrial e emprego, preservando parte da competitividade brasileira. Ao mesmo tempo, a alta do petróleo pode chegar à inflação por meio dos combustíveis, fretes e custos de produção, além de pressionar o câmbio e limitar o espaço para redução da Selic. Nesse contexto, a busca por novos mercados ajuda a compensar perdas em destinos tradicionais e reduz a concentração de riscos. A revisão de contratos tende a proteger margens ao redistribuir custos entre fornecedores e compradores. Já o crédito subsidiado pode sustentar capital de giro e investimentos durante o período de adaptação. O desafio é transformar medidas defensivas em ganhos permanentes de competitividade e diversificação comercial”, Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike.

“O efeito mais relevante da tarifa de 25% sobre até 4,1 mil produtos está no descasamento financeiro que ela pode criar. A exportadora produz e assume custos hoje, mas passa a enfrentar incerteza sobre preço, prazo e recebimento. Por isso, a ampliação das exceções preservaria não apenas vendas, mas a qualidade dos recebíveis usados para financiar capital de giro e novos investimentos. O petróleo amplia esse descasamento ao elevar fretes e custos de produção antes que a empresa consiga repassá-los. Se a alta também prolongar a inflação americana, o Federal Reserve pode manter juros elevados, fortalecendo o dólar e limitando a queda da Selic no Brasil. Buscar novos mercados recompõe receitas, mas gera contratos em outras moedas e com diferentes riscos de pagamento. O crédito subsidiado oferece liquidez nessa transição, enquanto governança, controle dos recebíveis e regras claras de reajuste determinam se essa liquidez será convertida em investimento ou apenas absorvida pelo aumento dos custos”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

“A definição sobre um acordo ficou mais complexa porque a disputa envolve fatores políticos e institucionais, além dos econômicos. O cenário mais provável é a ampliação das exceções tarifárias, o que reduziria os efeitos sobre exportações, atividade e emprego, embora setores muito dependentes dos Estados Unidos continuem vulneráveis. A alta do petróleo pressiona combustíveis, fretes, fertilizantes, alimentos e o câmbio, podendo elevar a inflação e limitar novos cortes da Selic. As empresas já buscam outros mercados e renegociam contratos, mas essa adaptação tende a reduzir margens e aumentar custos logísticos. O crédito subsidiado deve ser usado de forma pontual para sustentar produção e empregos, mas não resolve problemas estruturais de competitividade. No curto prazo, o mercado deve reagir principalmente ao alcance das exceções e à resposta do governo brasileiro”, André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

“Sobre o acordo, há um espaço real, mas estreito. O governo brasileiro negociou até o último dia, foram 4 reuniões com o representante comercial americano desde o encontro na Casa Branca, e a decisão sobre a ampliação das tarifas em mais 25% sai nesta quarta-feira, com o próprio Planalto tratando o tarifaço como cenário mais provável. Nesse contexto, uma ampliação das exceções seria quase tão valiosa quanto um acordo completo, porque foi assim na primeira rodada, quando itens como aviões, celulose e suco de laranja ficaram de fora da lista, o que reduziu muito o dano efetivo. Cada produto que sai da lista preserva receita de exportação, emprego e evita pressão adicional sobre o câmbio. Sobre o petróleo, o canal de transmissão é conhecido. Um barril persistentemente caro tende a encarecer combustíveis e fretes, isso contamina a inflação, a aversão a risco global pressiona o real, e a soma das duas coisas reduz o espaço do Banco Central para cortar a Selic, hoje em 14,25%. E sobre a resposta das empresas, o que vimos foi uma adaptação impressionante.

A busca por novos mercados sustentou o volume exportado e reduziu a dependência dos Estados Unidos, a revisão de contratos permitiu repartir o custo da tarifa entre exportador e importador, protegendo parte das margens, e o crédito subsidiado do plano de contingência, com cerca de R$ 40 bilhões via BNDES, deu fôlego de caixa e financiou até a compra de máquinas, o que sustenta o investimento. O efeito colateral é que margens menores e incerteza prolongada adiam decisões maiores de expansão, então quanto antes houver clareza na relação com os americanos, melhor para todo mundo”, André Matos, CEO da MA7 Negócios.

“O tarifaço deve ser analisado como parte de uma mudança no regime econômico global, marcado por comércio mais fragmentado, energia cara e juros internacionais elevados. A retirada integral da tarifa parece menos provável do que uma negociação por exceções, porque os Estados Unidos também enfrentam custos quando taxam insumos brasileiros sem substitutos locais. Uma lista mais ampla reduziria o impacto sobre exportações e entrada de dólares, ajudando a conter a pressão sobre o real. O petróleo, porém, pode manter a inflação americana elevada, limitar os cortes de juros pelo Federal Reserve e sustentar os rendimentos dos títulos dos Estados Unidos.

Nesse ambiente, o capital global permanece atraído por ativos em dólar, elevando o prêmio exigido de emergentes. No Brasil, um real mais fraco encarece combustíveis, máquinas e componentes importados, contaminando expectativas e restringindo a queda da Selic. A abertura de novos mercados reduz a dependência comercial, mas pode recompor volume com margens menores. Contratos revistos e crédito subsidiado evitam uma interrupção abrupta dos investimentos, embora a resposta duradoura exija diversificar compradores, moedas e fontes de financiamento”, Fábio Murad, Sócio e Fundador da Ipê Avaliações.
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