Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental destaca os impactos emocionais, financeiros e sociais do vício em apostas durante grandes eventos esportivos

Com a mobilização de milhões de torcedores em torno da Copa do Mundo, cresce também a exposição da população às plataformas de apostas esportivas. A intensa publicidade, associada à emoção dos jogos e à promessa de ganhos rápidos, tem contribuído para o aumento de comportamentos de risco relacionados às chamadas "bets", um fenômeno que preocupa especialistas em saúde mental.
Segundo a psicóloga Stephanny Guilande, o período de grandes competições esportivas cria um ambiente especialmente favorável para o desenvolvimento ou agravamento da dependência de apostas.
"A Copa desperta emoções intensas, expectativas e um forte envolvimento com os resultados das partidas. Esse cenário pode levar muitas pessoas a acreditarem que possuem maior controle sobre os resultados dos jogos, aumentando a frequência e o valor das apostas. Quando isso acontece de forma repetitiva, o comportamento pode evoluir para um quadro de dependência", explica.
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Stephanny ressalta que o vício em apostas compartilha características semelhantes às demais dependências comportamentais. Entre os principais sinais de alerta estão a necessidade de apostar valores cada vez maiores, a tentativa constante de recuperar perdas financeiras, a dificuldade de interromper as apostas e os prejuízos nas relações familiares, profissionais e sociais.
"A pessoa passa a apostar não apenas pela diversão, mas para aliviar ansiedade, estresse ou frustrações. Com o tempo, as apostas deixam de ser uma escolha consciente e passam a ocupar um espaço central na vida do indivíduo", afirma.
A psicóloga destaca ainda que a facilidade de acesso aos aplicativos e a disponibilidade das plataformas 24 horas por dia aumentam significativamente os riscos, especialmente entre jovens adultos e pessoas emocionalmente vulneráveis.
Nesse contexto, a Terapia Cognitivo-Comportamental tem se mostrado eficaz para o tratamento da dependência em jogos e apostas. O trabalho terapêutico busca identificar pensamentos distorcidos relacionados à sorte, ao controle dos resultados e à recuperação de perdas, além de desenvolver estratégias para a mudança de comportamento e a prevenção de recaídas.
"É fundamental compreender que o problema não está apenas no dinheiro perdido, mas nos impactos emocionais que esse ciclo provoca. Quanto mais cedo a pessoa buscar ajuda, maiores são as chances de recuperar o equilíbrio financeiro, emocional e familiar", reforça Stephanny.
Diante do crescimento do mercado de apostas esportivas no Brasil, a especialista defende a ampliação de campanhas de conscientização sobre os riscos associados ao jogo compulsivo, especialmente durante eventos de grande audiência como a Copa do Mundo.
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| sicóloga Stephanny Guilande |





