Nova CNH promove autonomia para milhões de mulheres no Brasil

Muitas adiavam o processo de habilitação principalmente por causa do custo e da falta de tempo, aponta uma pesquisa realizada pela comunidade "Dona Meu Destino", que reúne quase 1 milhão de seguidoras


“Quando eu consegui minha carteira de motorista, senti que ganhei um pedaço de mundo.” A frase é de Vittória Gabriela, goiana de 29 anos, empreendedora e fundadora da “Dona Meu Destino”, uma das maiores comunidades digitais de mulheres motoristas do Brasil, que reúne quase um milhão de seguidoras e para quem o volante representa muito mais do que mobilidade: é símbolo de autonomia, independência e acesso a oportunidades.

Mas agora, em 2026, o Brasil entra em um novo capítulo dessa história. Após uma decisão do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), o país passou a adotar um modelo mais flexível para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que deixa de exigir, obrigatoriamente, a passagem por autoescolas antes da realização dos exames teórico e prático, abrindo caminho para um processo mais acessível, digital e alinhado à realidade de milhões de brasileiros.

“Especialmente para as mulheres, conciliar tempo, deslocamento e rotina com trabalho, filhos e outras responsabilidades — muitas vezes em jornadas duplas ou até triplas — sempre foi uma barreira para conquistar a carteira. Agora, com a maior flexibilidade para aprender, o sonho — antes distante — de conquistar a CNH e, com ela, mais liberdade para ir e vir, ficou muito mais próximo”, avalia Vittória Gabriela.
Vittória Gabriela

A nova regra busca justamente enfrentar esse cenário. O conteúdo teórico passou a ser oferecido gratuitamente e de forma 100% digital por meio do aplicativo “CNH do Brasil”. Já a preparação prática pode ser feita seja com instrutores credenciados, aulas presenciais tradicionais ou estudos autônomos no próprio veículo do candidato, mantendo a exigência dos exames finais.

Além disso, com o novo regulamento, o governo federal estima uma redução de até 80% no custo para tirar a CNH — que, no modelo tradicional, podia chegar a cerca de R$ 5 mil em muitas regiões do país. Para Vittória, o impacto é especialmente relevante para as mulheres, que ainda enfrentam desigualdade salarial, com defasagem de mais de 20% em relação aos homens.

Na comunidade “Dona Meu Destino”, esse contexto aparece de forma recorrente nos relatos das seguidoras. Segundo uma enquete realizada em janeiro, xx% das mulheres adiaram a habilitação justamente pela dificuldade de encaixar o processo na rotina e no orçamento.

“Para muitas mulheres da nossa comunidade, o maior obstáculo não era só o dinheiro das aulas, mas o tempo e a logística para frequentar uma autoescola”, diz Vittória, que também é motorista e instrutora de autoestima sobre rodas. “Agora, com conteúdo digital e opções flexíveis, elas podem estudar no ritmo da vida real”, explica.

Por isso, a mudança tende a impulsionar significativamente a procura pela Carteira Nacional de Habilitação. Atualmente, estima-se que as mulheres representem pouco mais de um terço dos condutores habilitados no Brasil.

A expectativa é que o novo modelo também contribua para reduzir o número de brasileiros que hoje dirigem sem habilitação, estimado em cerca de 20 milhões, em grande parte por não conseguirem arcar com os custos e a burocracia do formato anterior.

Ainda assim, Vittória faz um alerta: “A nova regra, reforça, não elimina os exames teórico e prático, apenas abre caminhos diferentes para se chegar até eles. Assim, a comunidade Dona Meu Destino tem investido em conteúdo educativo para que nossas seguidoras reforcem não só a teoria, mas atitudes que salvam vidas no trânsito. Segurança é algo que não podemos abrir mão”, pontua.

Lá é possível acompanhar orientações que vão desde dicas para as provas até explicações detalhadas sobre o novo modelo da CNH, com foco em preparar as mulheres para que cheguem ao processo de forma consciente, seguras e confiantes. “É uma conquista importante, que amplia o acesso e a autonomia, mas que ainda gera muitas dúvidas. Por isso, estamos informando de maneira clara como o novo processo funciona na prática e quais etapas continuam obrigatórias”, conclui.

PESQUISA

Uma pesquisa realizada pela comunidade Dona Meu Destino revelou que o processo de habilitação ainda é visto como um marco importante de autonomia e conquista pessoal.

A maioria das mulheres que responderam ao questionário 26,8% afirmam dirigir entre cinco e dez anos, enquanto 25,08% possuem habilitação há mais de dez anos. E ainda 12,3% das mulheres possuem CNH há até um ano; 11,1%, entre um e dois anos; e 23,7%, de dois a três anos.


Referências:


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