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quinta-feira, 4 de junho de 2020

Áudios vazados sugerem acordo para abrir processo de cassação do prefeito de Luziânia

Falas levantam suspeitas de que grupo estaria negociando afastar Cristóvão Tormin definitivamente. MP é citado como suposto orientador do processo


Foto: Marco Aurelio.

Áudios vazados pela página Luziânia News sugerem que um grupo de 11 vereadores estaria se articulando com a prefeita interina Edna Aparecida sob orientação de promotores do Ministério Público para abrir um processo de cassação contra o prefeito afastado Cristóvão Tormin.

Uma mensagem de voz atribuída à vereadora Luzia Diretora indica que o grupo trabalha junto com o suplente Dênis Meireles, que é marido da procuradora municipal e também advogado, seguindo orientações do MP para instaurar o pedido de impeachment. Conforme o relatado, alguém, que não integrasse o grupo, pediria a instauração do processo. Se fosse algum parlamentar a impetrar o requerimento, ele perderia o poder de voto.

“Essa foi a combinação nossa. Como não temos poder de os 11 pedirem o afastamento dele (Tormin), a gente entrou num acordo com ele. Você pede a tribuna e põe em pauta o negócio. Aí, a gente foi incitado a tomar providências. Consultamos isso com o Ministério Público e tudo. Foi por isso que não falamos. Ficou combinado. A procuradora falou para nós, e o Dênis também, que o Ministério Público falou que tem que ser tudo muito bem pautado, muito bem pontuado, que nós só temos 11 e que o viável era a gente arrumar uma pessoa, a Ordem dos Advogados, ou meninas que são advogadas das vítimas que ele (Tormin) assediou ou um outro advogado. Foi por isso que o Dênis teve a tribuna..solicitou em comum acordo conosco para ele dar entrada, para não tornar ilegal nós 11 pedir (sic)”, diz o áudio atribuído à vereadora.

Onze votos é o mínimo necessário para abrir o processo de impedimento. Para afastar definitivamente o prefeito, são necessários 14 dos 21 votos na Câmara Municipal. Atualmente, segundo bastidores da política da cidade, 10 que compõem a base da prefeita interina e um que se diz independente votariam a favor da cassação. Os aliados do prefeito afastado são sete. Outros três ainda poderiam votar a favor da cassação de Tormin.

Como indicado no áudio, Dênis de fato discursou na tribuna da Câmara, defendendo que o prefeito seja afastado definitivamente. Nenhum pedido de impeachment, porém, foi protocolado até o momento.

Um áudio de um diálogo de uma mulher com o vereador Zezinho do Açougue sugere que o marido da prefeita, Edson Ribeiro, conhecido como Edinho, estaria tentando convencer mais parlamentares a votar pelo afastamento de Tormin. No áudio, quando a mulher pergunta se ele votaria para cassar o prefeito, o vereador diz que precisaria falar com seu irmão e com Ribeiro.

“A questão minha, igual falei para você, é que hoje à noite sento com meu irmão. Se alguém o procurar, ele vai me procurar. Até este exato momento, não voto (pela cassação). Mas você sabe como é política, sempre dependi do meu irmão, mas até agora não interferiu nada não. Talvez ele me ligue, entendeu? Posso votar em Edna amanhã e depois ela tirar tudo que eu tenho. Até então, a única coisa que o Edinho (marido da prefeita) falou para mim é ‘ô, amanhã preciso falar com você'”, disse.

Depois, Zezinho reitera que, no momento, não seria favorável ao impedimento de Tormin, mas afirma que “tudo pode mudar durante a noite”. “Até neste exato momento, não voto contra Cristóvão, não. Não sei amanhã, né? Tudo pode mudar durante a noite, mas até agora qual motivo que tenho para votar contra Cristóvão? Não tenho motivo nenhum, não”, pontuou. Quando questionado sobre o quê poderia mudar, o parlamentar respondeu: “Uai, se chega uma determinação do DEM…”.

O vereador também criticou colegas que “ficaram mamando, três anos defendendo o governo” e agora estariam dispostos a votar contra Tormin, conforme surgiu Zezinho.

Afastamento de Tormin
Uma decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou o afastamento do prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin, a partir de 21 de fevereiro, pelo prazo de 120 dias. Portanto, ele deve retornar ao cargo no dia 21 de junho.

Tormin é acusado de importunação sexual contra uma servidora da prefeitura. Outras mulheres também relataram casos de assédio por parte do prefeito.

MP pede explicações
O promotor de Justiça Julimar Alexandro da Silva protocolou na Justiça um pedido de explicações, para que a vereadora Luzia Diretora esclareça o conteúdo do áudio e a menção ao MP. No pedido, o promotor destaca que o prefeito Cristóvão Vaz Tormin foi afastado por ordem do Tribunal de Justiça de Goiás por ter, supostamente, cometido crimes de natureza sexual contra servidoras públicas municipais.

Conforme destaca o promotor, as afirmações são graves, na medida em que sugerem que o MP estaria aliado a adversários de Tormin com o intuito único de vê-lo afastado da vida pública.

De acordo com Alexandro, embora seu nome não tenha sido expressamente citado, em razão das atribuições na seara do patrimônio púbico e eleitoral, sua imagem pública está sendo “evidentemente contestada” em Luziânia. “Exatamente por isso, para que não paire dúvida sobre sua retidão profissional ou sobre a verdadeira intenção da vereadora em proferir tais afirmações, ambíguas, mas caluniosas, é que se socorre do Poder Judiciário para que tudo seja devidamente esclarecido”, pontua. 

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